Poems by Adélia Prado

Seduction (Sedução)

Heraldry (Heráldica)

Ex-Voto

 

 



Heraldry

What huge luxury to be poor by choice,
temptation to be God who has nothing,
immeasurable pride.
Which is why I’m reminded
that many will enter the Kingdom before me:
thieves, bad poets,
and, worse, the flunkeys who praise them.
I’m distressed by the thought
that kings belong in palaces
and workers in factories and warehouses.
A stiff sentence awaits
those who, like me,
are dazzled by a light so bright!
I know a bad line when I see one,
when it doesn’t come straggling
from the unknown margins of the soul.
Is it pride that possesses me
or joy—unrecognizable,
masquerading in rags?
All I know is it’s love that fuels
this wearisome task of searching for pearls,
tracing a millennial lineage in coats of arms.
No one knows how to talk about the poor.


From EX-VOTO, Translated from the Brazilian Portuguese by Ellen Doré Watson (Tupelo Press, 2013)

 

 

Heráldica

Grande luxo é ser pobre por escolha,
tentação de ser Deus que nada tem,
orgulho incomensurável.
Por causa disto sou advertida
de que muitos me precederão no Reino,
os ladrões, os maus poetas
e pior, os bajuladores que os louvam.
Sofro pelo pensamento
de que no palácio devem ficar os reis
e na fábrica os opererários, nos armazéns de cereias.
Que dura sentença espera
aos que, como eu,
ofusca uma lucidez tão grande!
Sei quando um verso é mau,
quando não vem desgarrado
da margem ignota da alma.
O que me possui é orgulho,
o alegria—que não reconheço—
travestida de andrajos?
Só posso dizer que é amor
esta fadiga de catar as pérolas,
descobrir nos brasões a milenar linhagem.
Ninguém sabe o que diz quando fala dos pobres.


From O PELICANO (Editor Rio de Janeiro, 1987)

 

 

 

 
         
    Poetry Center Readings:
     Fall 2013